domingo, 5 de julho de 2009

Viver sozinho na meia-idade aumenta chances de desenvolver Alzheimer

Um estudo sueco sugere que pessoas que possuem uma variante genética específica e vivem sozinhas na meia-idade estão no grupo de maior risco de sofrer de demência. Dois mil homens e mulheres no leste da Finlândia participaram da pesquisa do instituto Karolinska, em que os estudiosos analisaram o estado conjugal dos participantes e verificaram a presença ou não da variante quatro do gene apolipoproteína E (apoE). A presença dessa variante é considerada o fator genético de risco mais comum para o desenvolvimento de doenças como o mal de Alzheimer.
A primeira observação dos pesquisadores suecos foi feita quando os voluntários tinham cerca de 50 anos e a segunda, 21 anos depois. A conclusão foi que pessoas que vivem sozinhas na meia-idade correm duas vezes mais risco de desenvolver a demência do que aquelas que moravam com seus parceiros. Já para as viúvas e os viúvos, esse risco mostrou ser três vezes maior.
Os pesquisadores concluíram que a chance de desenvolver demência é maior principalmente em pessoas com a variante 4 da apoE que se separaram ou ficaram viúvas antes dos 50 anos de idade e viviam sozinhas.
O estudo foi divulgado em um artigo na versão online da publicação científica "British Medical Journal". Krister Hakannson, que liderou o grupo de pesquisadores, afirmou que os resultados do estudo são importantes para prevenir a demência e a debilidade cognitiva.
"Viver em um relacionamento com um parceiro pode implicar em desafios cognitivos e sociais que têm um efeito de proteção contra a debilidade cognitiva na velhice", disse ele. Segundo Hakannson, a "intervenção de apoio" às pessoas que perdem os parceiros pode ajudar na prevenção da doença.
Em um editorial também publicado no British Medical Journal, a pesquisadora Catherine Helmer, da Universidade Victor Seglen, em Bordeaux, na França, afirma que a hipótese dos efeitos negativos da viuvez ainda não foi provada. Ela acredita que mais estudos precisam ser feitos para provar a vulnerabilidade genética como um elo entre a viuvez e a demência.
Além disso, a pesquisadora afirma ainda que a relação entre demência e a presença da variante 4 do apoE precisa ser tratada com "cautela", já que a pesquisa é um estudo epidemiológico que observou a incidência da doença em apenas um tipo de pessoas e precisa ser confirmada com outras pesquisas.
Em 2005, cerca de 25 milhões de pessoas sofriam de demência ao redor do mundo. Esse número deve subir para 81 milhões até 2040.

sábado, 4 de julho de 2009

Parar de fumar pela internet

A Universidade de Illinois, em Chicago (EUA), está liderando um projeto avaliado em US$ 2,9 milhões (cerca de R$ 5,6 milhões) do Instituto Nacional de Câncer norte-americano sobre o uso da internet em tratamentos para fazer com que jovens entre 18 e 24 anos parem de fumar.

"Surpreendentemente, esse grupo tem a maior taxa de fumantes em comparação a qualquer outra faixa etária", disse o professor de psicologia e principal investigador do estudo, Robin Mermelstein.

"De fato, o ato de fumar começa a aumentar gradativamente entre os 18 e 24 anos de idade e, mesmo assim, muitos jovens pensam em largar e realmente querem parar, mas eles têm as taxas mais baixas de desistência ou tentativa."

Quando jovens fumantes tentam largar o vício, disse Mermelstein, "eles tendem a não usar o que sabemos que funciona. Muitos jovens realmente pensam que os tratamentos não funcionam ou que estão melhores usando métodos caseiros e meios naturalistas, e tendem a evitar métodos cientificamente comprovados".

Mermelstein e colegas da UIC, em parceria com a Universidade de Iowa e a American Legacy Foundation, trabalharão com a agência de publicidade GDS &amp para desenvolver anúncios interativos na internet e avaliar quais mensagens motivam os jovens fumantes a utilizar o BecomeAnEx.org, site que orienta sobre como parar de fumar e reaprender a viver sem o cigarro.

"Esse é um programa cientificamente comprovado e envolvente para parar de fumar desenvolvido pela American Legacy Foundation", observou ele.

"Para atingir jovens fumantes, você tem que ir onde eles estão e a internet é o lugar", acrescentou o professor.

Para Mermelstein, outra meta importante do projeto é achar estratégias para aumentar a motivação e conseguir que o jovem fumante pense que "agora é hora de parar, não daqui a cinco anos, nem daqui a 10 anos, mas agora".

O estudo de abrangência nacional nos Estados Unidos inscreverá mais de três mil jovens fumantes por meio da internet, que serão recrutados através de sites como o Craigslist.

Sem capacidade auditiva evoluida, não teriamos chance de desenvolver a linguagem

Quando pronunciados com clareza, os sons “dah” e “bah” são fáceis de diferenciar. Mesmo assim, se você passa uma cena de filme onde a trilha sonora diz “dah” enquanto a imagem mostra uma boca dizendo “bah”, as pessoas vão jurar que ouviram “bah”. Se você pedir que contem o número de vezes que uma luz pisca, e piscá-la sete vezes seguidas com uma sequência de oito sons de bip, as pessoas dirão que a luz piscou oito vezes.

Quando se depara com partes conflitantes de informação, o cérebro decide em qual sentido confiar. No primeiro cenário, aqueles lábios se movendo nunca poderiam articular um “d”, então a visão reivindicou a supremacia. Porém, em questões que demandam uma análise temporal, e racionalizar sons similares numa sequência, o cérebro instintivamente se apóia na audição.
Clique clique clique. Você consegue ouvir uma série de cliques a vinte batidas por segundo e saber que são cliques separados, e não um tom contínuo. Agora, passe uma série de imagens juntas a vinte quadros por segundo – pronto, bem-vindo ao cinema. “A resolução temporal de nossa visão”, disse Barbara Shinn-Cunningham, da Universidade de Boston, “é de uma ordem de magnitude mais lenta do que nosso sistema auditivo pode lidar”.
É fácil considerar a audição como verdadeira, aquela esparramada Babilônia estereofônica onde os portões nunca se fecham e há plataformas para todos. Você pode fechar seus olhos contra um sol brilhante demais, ou desviar o olhar de uma cena desagradável. Todavia, quando o soprador de folhas de alguém faz disparar o alarme do carro do vizinho, ei, onde estão meus tampões de ouvido? Fomos chamados de primatas visuais, e o tamanho de nosso córtex visual impede o crescimento da plataforma neural designada para a audição. A maior parte das pessoas, quando questionada, afirma que preferiria perder a audição do que perder a visão.

Ainda assim, em maneiras que os pesquisadores estão apenas começando a avaliar, nós humanos deveríamos ficar agradecidos às nossas orelhas. De forma mecânica, elétrica, comportamental e cosmética, nosso par de placas sonoras é um genuíno marco auditivo de nossa espécie. Se algumas palavras soam parecidas, elas deveriam mesmo soar, pois nossos ouvidos e bocas, em conjunto, nos deram a voz.

Hoje, cientistas suspeitam que a origem da linguagem humana se deva tanto a melhorias nos primeiros ouvidos hominídeos quanto a estímulos mais familiares, como uma laringe sendo alterada ou mesmo um cérebro se expandindo no geral.
Em recente análise molecular, John Hawks, da Universidade de Wisconsin, relatou que oito genes, envolvidos em moldar o ouvido humano, parecem ter sofrido mudanças significativas durante os últimos 40 mil anos, algumas tão recentes quanto o surgimento do Império Romano. Somente com infraestrutura auditiva altamente refinada, dizem os pesquisadores, nossos ancestrais poderiam ter se afinado ao tipo de minúsculas flutuações em ondas de pressão que caracterizam toda a fala humana, sem mencionar o latim conjugado corretamente.
Adicionalmente, a avidez com que nosso sentido auditivo busca organizar o ruído ambiente em padrões acústicos significativos – uma consequência provável de nossa dependência da linguagem – poderia ajudar a explicar nossa musicalidade distintamente humana.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Já é possível tocar seu bebê que ainda nem nasceu

Um brasileiro criou uma técnica que permite que mães e pais possam não só ver, como também tocar e sentir modelos de tamanho real de seus bebês que ainda nem nasceram.

O designer carioca Jorge Roberto Lopes dos Santos desenvolveu o projeto, que alia exames de ressonância magnética, ultrassonografia e tomografia computadorizada. Depois, as imagens captadas são transformadas em modelos matemáticos e, no último passo, viram modelos 3D com a chamada prototipagem rápida, que é a tecnologia para impressão tridimensional.

Utilizando programas específicos como o 4D View e o Mimics, Lopes dá forma aos modelos 3D de fetos, que são impressos, camada por camada, em resina fotossensível e um composto a base de gesso.

Até o momento, já foram estudados no Brasil e no Reino Unido cerca de 50 casos clínicos que geraram modelos específicos em tamanho natural. E muitos deles foram mostrados por Lopes durante a apresentação de seu projeto na Royal College of Art (RCA), em Londres, na última sexta-feira (26).

"São culturas diferentes também em relação à gravidez. Enquanto no Brasil o foco principal é tentar fazer com que mães e pais compreendam alguma malformação de seus bebês, no Reino Unido os modelos são usados para incentivar o apego da mãe em relação ao filho", explica Lopes.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Atividades sociais ajudam idosos também

Sabe-se que adultos mais velhos que permanecem socialmente envolvidos têm mais probabilidade de manter afiadas suas capacidades intelectuais. Porém, uma nova pesquisa sugere que eles também podem ter menos tendência a vivenciar pioras nas capacidades motrizes, como força, velocidade e destreza.
Pesquisadores que acompanharam a saúde de cerca de 900 pessoas em casas de repouso e outros lugares descobriram que os velhinhos com mais atividade social sofreram um declínio menor das capacidades motoras. O relatório aparece no periódico especializado "The Archives of Internal Medicine".
Os pesquisadores, liderados pelo Dr. Aron S. Buchman, do Centro Médico da Rush University, examinaram cada voluntário durante um período de aproximadamente cinco anos. Os cientistas deram aos participantes uma série de testes para medir suas capacidades motoras, observando a força dos braços e pernas durante a execução de caminhadas e outras tarefas. Os voluntários também foram solicitados a dar informações sobre suas atividades sociais.
Embora capacidades motoras debilitadas possam dificultar a participação das pessoas em atividade sociais, Dr. Buchman afirmou que o estudo encontrou evidências apontando que uma coisa ajuda a out
ra.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

DNA ajuda a recriar cor de penas de ave extinta

Um método engenhoso permitiu que pesquisadores reconstruíssem a plumagem de algumas espécies de moas, aves gigantes que desapareceram da Nova Zelândia e chegam a mais de 3 m de altura. O mais engraçado é que os bichos provavelmente eram rajadinhos, mais ou menos como uma codorna de hoje, apesar de seu tamanho avantajado.

A pesquisa liderada por Nicolas J. Rawlence, da Universidade de Adelaide (Austrália), está na revista científica britânica "Proceedings of the Royal Society B". Rawlence e companhia descobriram que é possível obter DNA das penas dos moas, achadas em sítios paleontológicos e arqueológicos neozelandeses. (Como os moas foram extintos há apenas 700 anos, provavelmente por causa da caça praticada pelas tribos maoris, é relativamente comum achar as penas das aves gigantes.)

O DNA das penas permitiu que os pesquisadores associassem os restos a várias espécies diferentes de moas, cujo material genético já havia sido identificado em ocasiões anteriores. Sabendo a que espécie pertencia cada tipo de pena, veio a segunda etapa: saber como a cor delas tinha se alterado ao longo do tempo.

A sorte dos especialistas é que uma espécie ainda existente de periquito tinha suas penas encontradas com frequência junto com as dos moas. Graças a isso, eles criaram uma escala de esmaecimento das cores -- uma medida de quanto e como a cor das penas fica desbotada com o passar do tempo.

A partir disso, os especialistas reconstruíram com bom grau de precisão a cor original das penas dos moas. Eles acreditam que a cor rajada era uma forma de clamufagem contra o principal predador dos bichos, a enorme águia-de-haast, uma ave de rapina cuja envergadura das asas ultrapassava os 3 metros.

 
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