sábado, 11 de julho de 2009

O cliente está sempre errado

Um novo estudo sugere que as pessoas concedem avaliações mais altas de satisfação do consumidor a homens brancos do que a mulheres e membros de minorias, mesmo quando seu desempenho é o mesmo.
Pesquisadores dividiram 86 estudantes de faculdade em três grupos, e mostraram a cada grupo um entre três vídeos com um encontro de cliente e consumidor numa livraria. Tudo era idêntico – roteiro, ambientação e ângulos de câmera –, exceto pela identidade do vendedor: mulher branca em um dos vídeos, um homem negro em outro, um homem branco no terceiro. Havia um número substancial de mulheres e não-brancos em cada grupo, mas os estudantes classificaram o desempenho do homem branco como o melhor.
Num segundo teste, cerca de 12 mil pacientes de um plano de saúde de manutenção avaliaram seus médicos. A Organização de Manutenção da Saúde avaliou seus médicos através de medidas objetivas – como o número de procedimentos salutares discutidos pelo profissional –, mas não houve relação entre as duas avaliações, com uma exceção. O número de e-mails de follow-up que o médico enviava ao paciente aumentava sua avaliação, mas somente quando o médico era um homem branco.
“As descobertas sugerem que o cliente está sempre errado”, disse David R. Hekman, o principal autor e professor-assistente de gerenciamento na Universidade de Wisconsin. “Todas as pessoas – brancos, negros, homens, mulheres – acham que o homem branco tem mais valor. Alguém precisa avisar os consumidores sobre seus preconceitos."

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sonhe para resolver seus problemas

Precisa solucionar um problema? Tente tirar um cochilo. Mas precisa ser o tipo certo de cochilo – um que tenha o sono com movimento rápido dos olhos (REM, da sigla em Inglês), o tipo que inclui sonhos.
Pesquisadores chefiados por Sara C. Mednick, professora-assistente de psiquiatria da Universidade da Califórnia em San Diego, ministraram, em 77 voluntários, testes de associação de palavras sob três condições antes-e-depois: passar um dia sem um cochilo, cochilar sem o sono REM e cochilar com REM. Simplesmente passar o dia afastado do problema melhorou o desempenho; as pessoas que ficaram acordadas se saíram um pouco melhor na sessão das 17h do que às 9h. Tirar um cochilo sem o sono REM também levou a resultados levemente melhores. Porém, um cochilo com sono REM resultou numa melhora de quase 40% em relação ao desempenho anterior ao cochilo.
O estudo, publicado em 8 de junho na revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences", descobriu que aqueles com sono REM tiraram cochilos mais longos que os outros – mas não havia qualquer correlação entre o tempo total de sono e a melhora no desempenho. Apenas o sono REM havia ajudado.
“Sonhos são fantásticos”, disse a Dra. Mednick. “Eles incorporam ideias estranhas, coisas que você nunca imaginaria se estivesse acordado. No sono REM, fica mais provável que as ideias possam se unir numa solução."

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Camundongos rumo à imortalidade ?

Que tal aumentar sua expectativa de vida em cerca de 30% quando você já está na meia idade? É o sonho de todo cinquentão, e ele parece ter se tornado real -- em camundongos, é bom que se diga. Num estudo publicado na edição desta semana da revista científica "Nature", pesquisadores relatam o feito operado graças ao uso da rapamicina, substância que normalmente serve para ajudar o organismo de pessoas transplantadas a aceitar o novo órgão.

É a primeira vez que uma estratégia farmacológica, ou seja, envolvendo o uso de uma droga, consegue aumentar de forma significativa o tempo de vida de um mamífero, com efeito sobre ambos os sexos (em geral, como se vê entre humanos, fêmeas tendem a viver mais). Esse é o principal motivo da empolgação em torno da pesquisa, liderada por David Harrison, do Laboratório Jackson (EUA).

O efeito de 30% (para ser preciso, 28% para machos e 38% para fêmeas) se deu nos casos mais bem-sucedidos da estratégia, levando em consideração o momento em que o remédio começou a ser ministrado - quando os roedores tinham cerca de 600 dias de vida, ou o equivalente a pessoas com 60 anos de idade. Levando em conta todo o tempo de vida dos bichos, o aumento da longevidade ficou entre 10% e 15%, considerado expressivo.

A rapamicina, originalmente extraída de uma bactéria da ilha de Páscoa, no Pacífico, tem como seu aparente segredo pró-longevidade a ação sobre uma enzima (proteína que acelera reações químicas) importante para os processos ligados ao envelhecimento, como a autodestruição de certas estruturas da célula. Barrando esses processos, a rapamicina ajudaria a diminuir o ritmo do envelhecimento.

No entanto, a rapamicina, justamente por ajudar na adaptação a transplantes, tem o efeito colateral de enfraquecer as defesas naturais do organismo. Por isso, os cientistas consideram que a droga ainda não está pronta para o uso em seres humanos, que poderiam envelhecer mais devagar mas mesmo assim morrer de infecção. O ideal é que ela seja usada para estratégias mais refinadas contra o envelhecimento.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Espermatozóides criados a partir de células-tronco

Se não fosse pelas barreiras éticas e tecnológicas que ainda existem, uma equipe de pesquisadores do Reino Unido poderia ter criado um embrião que nem chegou a nascer e mesmo assim foi pai. Isso porque os cientistas da Universidade de Newcastle e do Instituto de Células-Tronco do Nordeste da Inglaterra produziram espermatozoides a partir de células-tronco embrionárias, já famosas no meio biomédico por causa de sua capacidade de se transformar em qualquer tecido do organismo humano.

A equipe coordenada por Karim Nayernia relata o feito na revista científica "Stem Cells and Development". Eles ressaltaram que a ideia não é usar esses espermatozoides para fertilizar ninguém, mas sim estudá-los como um modelo para entender os atuais problemas de infertilidade masculina e, quem sabe, resolvê-los no futuro.

Nayernia também apontou outra utilidade da pesquisa: ajudar homens que um dia já produziram espermatozoides viáveis, mas perderam essa capacidade por danos como os causados por, digamos, radioterapia ou quimioterapia durante a luta contra o câncer.

Na pesquisa, células-tronco de embriões em estágio inicial que eram geneticamente XY (ou seja, do sexo masculino) receberam substâncias que conduziram seu desenvolvimento até a meiose (a divisão do material genético pela metade, típica das células sexuais) e a transformação em espermatozoides totalmente maduros. Não foi possível realizar o mesmo feito com células obtidas de embriões XX, ou seja, geneticamente pertencentes ao sexo feminino.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sistema operacional Chrome OS

O sistema operacional Chrome OS, anunciado pelo Google, vai ter como foco a navegação na internet. Em entrevista a jornalistas por telefone, Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil, disse que a preocupação é com a experiência do usuário, e o objetivo é fazer com que mais pessoas possam usar a internet sem depender de computadores "robustos".

Segundo Ximenes, o Chrome OS será capaz de conectar o usuário rapidamente, sem obrigá-lo a esperar longos períodos de carregamento típicos dos sistemas convencionais - que precisam gerenciar diversos recursos e programas.

O Chrome OS será gratuito e terá código fonte aberto - baseado na "essência" do sistema Linux. Incialmente, ele será distribuído para netbooks - computadores menores e com menos recursos que os notebooks -, mas poderá ser adaptado para desktops. A aposta da empresa em smartphones, porém, continua sendo com o sistema Android. "São dois produtos diferentes, com funções diferentes", disse Felix.

O Google evita falar sobre a concorrência com a Microsoft, que domina o mercado de sistemas operacionais com o Windows, e diz que a preocupação é com a experiência do usuário. "O sistema vai ser muito mais enxuto, rodando sobre ukm 'kernel' muito mais seguro. As chances de instabilidade serão muito menores", diz Felix, destacando que velocidade e segurança serão peças-chave na estratégia.

O Chrome OS terá código fonte aberto e será baseado no "kernel" do Linux. O "kernel" é considerado o núcleo de um sistema operacional, encarregado de gerenciar os recursos fundamentais do sistema. O Chrome OS não será distribuído diretamente ao usuário - vai ser disponibilizado para desenvolvedores, que vão adaptá-lo para ser "embarcado" nas máquinas. O Google não divulgou nomes de fabricantes envolvidos no projeto, mas disse que eles devem se interessar pelo mercado brasileirol.

No final de 2009 o Chrome OS começará a ser distribuído para as comunidades de software livre. Os primeiros netbooks com o sistema devem chegar ao mercado em 2010.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Retrocesso de 50 anos

Os ganhos obtidos pelos países mais pobres nos últimos 50 anos podem ser perdidos totalmente e de forma irreparável por causa das alterações climáticas, indica estudo divulgado pela Oxfam Internacional, grupo que reúne ONGs que lutam contra a pobreza. O relatório se baseia nas respostas de 42 cientistas que colaboram com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), ligado às Nações Unidas. Segundo eles, o maior impacto será o aumento da fome. Com as alterações sofridas na zona tropical, plantações de culturas-chave na alimentação humana, especialmente milho e arroz, estarão em risco.
Dois terços do 1 bilhão de pessoas que se encontram na pobreza no mundo vivem nas zonas rurais dos países em desenvolvimento. É o caso de Chriselliea Nzabonimpa, mãe de cinco filhos e líder da comunidade onde mora, em Ruanda, que mostra como suas plantações de milho e mandioca não vingam por causa de um padrão irregular e inesperado de chuvas. Ao lado da segurança alimentar, o acesso à água é outra questão urgente, afirma a Oxfam. Cidades populosas já sofrem desabastecimento: a neve que fornecia o recurso durante o degelo já sumiu, ou está prestes a desaparecer.
"A geleira Mururata é a Mãe Terra para nós. É onde conseguimos nossa água para cozinhar, lavar, beber, regar nossos jardins e alimentar nossos animais", diz Valerio Quispe, que vive na comunidade Choquecota, no altiplano boliviano. A geleira é uma das diversas que encolheram nos últimos anos e que podem desaparecer em poucas décadas.
A falta de água também tem o potencial de gerar conflitos, especialmente em torno dos rios Indo, Nilo e Tigre-Eufrates, além de estimular migrações de populações empobrecidas. Estudo recente, ainda não publicado, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA, analisou os 925 principais rios do mundo. Baseado em 60 anos de registros, ele projeta que um terço deles será afetado significativamente pelas mudanças climáticas. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

 
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