domingo, 14 de junho de 2009

Bactéria cada vez mais resistente

A bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, é uma campeã de promiscuidade - e, pelo visto, isso está tornando a vida dela mais fácil e complicando muito a dos humanos que o micróbio infecta. A mania da criatura de fazer sexo -- que, em termos bacterianos, se resume a trocar DNA -- com espécies diferentes de microrganismo fez com que certas variedades dela tenham se tornado resistentes a quase qualquer tipo de antibiótico.A má notícia está na revista especializada "Science" desta semana. Pesquisadores do Reino Unido e da Finlândia, sob a liderança de William Paul Hanage, do Imperial College de Londres, fizeram a descoberta ao examinar o DNA de quase 2.000 amostras diferentes do pneumococo e compará-lo com o de outras espécies bacterianas aparentadas a ele. Os dados são importantes para tentar combater o microrganismo, que causa pneumonia (como diz o nome), meningite e uma série de outros problemas, matando 1 milhão de pessoas no mundo por ano.O hábito bacteriano de trocar genes a torto e a direito é um velho conhecido dos cientistas. Em geral, essa forma rudimentar de sexo acontece entre membros da mesma espécie de bactéria, mas também pode se dar entre bactérias bem diferentes, o que levou alguns pesquisadores a até questionar a validade do conceito de espécie entre essas criaturas -- na prática, todas as bactérias seriam membros de uma gigantesca espécie, com variações.A pesquisa de Hanage e companhia tentou quantificar o grau desse troca-troca genético interespécies examinando pedaços de sete genes diferentes de pneumococo e de seus parentes, pertencentes ao mesmo gênero, o Streptococcus. Esses fragmentos de genes servem como balizas de classificação, dando uma ideia clara a respeito da origem do DNA de cada cepa de bactéria. O principal resultado da análise é que, dos 1.930 tipos de pneumococo, 368 possuem material genético que é um grande mosaico, originado de várias espécies diferentes. Pior: esse grupo de micróbios também mostra a presença de genes de resistência a vários tipos importantes de antibiótico, muitas vezes combinados na mesma cepa de bactérias. O mais provável é que essas características tenham surgido graças uma história de "hiper-recombinação", como dizem os cientistas -- ou seja, de troca constante de genes entre bactérias diferentes.

sábado, 13 de junho de 2009

Homens doam mais do seu tempo a filhos parecidos com eles

Os homens passam mais tempo com os filhos mais parecidos com eles ou com um cheiro similar, segundo um estudo francês. O Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS, na sigla em francês) anunciou, em comunicado, os resultados do estudo, dirigido pela Universidade de Montpellier, que foram publicados também na versão online da revista "Animal Behaviour". Além disso, o estudo confirmou a capacidade dos pais de reconhecerem seus filhos biológicos. A pesquisa foi realizada com 30 famílias de dois filhos cada, em vários povoados do Senegal, onde os cientistas aplicaram uma metodologia para quantificar tanto a dedicação dos pais a seus filhos quanto a semelhança entre eles. Primeiramente, foi pedido às mães que avaliassem o tempo que o pai dedicava a cada filho, a atenção e o afeto manifestados e, inclusive, a quantidade de dinheiro dada a esse filho. Para comprovar a semelhança entre pais e filhos, pessoas de povoados diferentes e que não conheciam os membros da pesquisa tiveram de comparar as características comuns dos rostos, a partir de fotografias, e os cheiros de camisetas que foram levadas. O relatório também confirmou "o impacto positivo da presença do pai através das condições de alimentação e de crescimento" das crianças, com uma melhora de suas condições de vida. A equipe de pesquisadores da universidade realizou outra pesquisa na França sobre a implicação dos pais na criação de seus filhos, mas os resultados só sairão em alguns meses.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Cientistas querem comparar assinatura da Terra com a de outros planetas

Os eclipses lunares são tidos hoje como ótimos espetáculos visuais para os interessados por astronomia, mas dificilmente são vistos como algo que possa render resultados científicos importantes. Pois um grupo de pesquisadores espanhóis acaba de mudar isso, com um estudo que deve ajudar até a procurar planetas similares à Terra fora do Sistema Solar.
O grupo de Enric Pallé, do Instituto de Astrofísica das Canárias, em Tenerife, na Espanha, obteve, durante um eclipse lunar observado em 16 de agosto de 2008, o que seria a "assinatura" da atmosfera terrestre, se vista de longe, conforme o planeta passasse à frente do Sol, com relação a um observador distante.
Em outras palavras, eles identificaram os traços luminosos que seriam captados por um ET, caso ele estivesse em outro sistema planetário, apontando um poderoso telescópio na nossa direção.
A essa assinatura específica é dado o nome de espectro, que equivale à separação da luz vinda de um objeto em suas cores componentes. A partir de marcas nesse padrão de cores separadas, é possível identificar vários dos compostos presentes no ponto de origem da luz. Com o espectro da Terra, por exemplo, é possível identificar a presença de substâncias como oxigênio, nitrogênio e vapor d'água na atmosfera. Segundo os cientistas, é possível até observar características da ionosfera terrestre -- camada da atmosfera marcada pela presença de moléculas polarizadas.
A obtenção do chamado espectro de transmissão da Terra foi possível durante um eclipse lunar porque nesse momento a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando a maior parte da luz solar. O que sobra -- e ilumina a Lua -- é a luminosidade do Sol que atravessa a atmosfera terrestre e vai parar na superfície lunar. Analisando essa luz, portanto, é possível calcular como é o espectro da Terra, visto da Lua.
E o melhor de tudo: muitos dos planetas descobertos fora do Sistema Solar passam à frente de suas estrelas, com relação à Terra. Assim, o espectro que os astrônomos captam deles são equivalentes ao obtido agora do nosso planeta pelos cientistas. Moral da história: é possível compará-los, para identificar quão parecido um planeta fora do Sistema Solar é com a Terra.
Com a descoberta de mais e mais planetas, é possivelmente questão de tempo até que encontremos um que tem uma assinatura parecida com a que a Terra emite. Isso, muito provavelmente, será sinal de que há vida naquele mundo distante.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Tijolo feito de casca de coco

Um novo tijolo inventado pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) não utiliza barro em sua composição. No lugar da argila, são usados restos de casca de coco, de castanha-do-pará e de tucumã, que costumam ser descartados no processamento dessas frutas.
Segundo o pesquisador Jadir Rocha, da área de recursos florestais do Inpa, o novo tijolo é mais resistente que o original, com a vantagem de oferecer mais proteção contra o calor amazônico. “Como as matérias-primas são de vegetais, proporcionam um ambiente muito agradável, faça chuva ou faça sol”, afirma.
Para conseguir agrupar as cascas duras das frutas e formar um bloco compacto, os restos são triturados, misturados com uma resina e prensados. Além de reciclar esses materiais, o tijolo vegetal tem a vantagem ecológica de não precisar ser cozido, evitando que árvores sejam cortadas para alimentar fornos.
Outra vantagem enumerada por Rocha é que o novo tijolo dispensa cimento, pois tem um encaixe que une as peças. Água e cupim, graças à resina utilizada para colagem, também não serão problema. “Utilizamos resina fenólica, uma cola irreversível. Ela é derivada de petróleo. O ideal seria que tivéssemos resinas naturais, mas infelizmente as pesquisas ainda estão começando”, diz o pesquisador do Inpa.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Usuários de rede P2P são consumidores melhores do que se imaginava

Os usuários de redes de compartilhamento de arquivos peer-to-peer (P2P) são os melhores consumidores das indústrias de filme e música, de acordo com recente pesquisa realizada pela Vuze, criadora de um dos mais populares clientes de BitTorrent. Segundo o estudo, enquanto usuários de P2P compartilham on-line arquivos de propriedade da indústrias de entretenimento, eles estão mais propensos a gastar dinheiro em entretenimento off-line. Conduzida pela Frank Magid Associates, a pesquisa ouviu 693 usuários da Vuze e outros 606 internautas, todos os norte-americanos, com idades entre 18 e 44 anos. E o resultado mostrou que esses usuários de redes P2P alugam mais filmes e compram mais ingressos de cinema e mais DVDs do que a maioria das pessoas que navegam pela internet."Eles são os melhores clientes de Hollywood, e isso é algo que não achamos que Hollywood esteja muito consciente", considerou o presidente da Vuze, Gilles BianRosa, em entrevista ao site "Ars Technica".Em um ano, um usuário da Vuze vai ao cinema oito vezes, contra seis vezes de um internauta comum. Além disso, os usuários de redes P2P alugam em média nove filmes por ano, enquanto um não-usuário aluga apenas sete.
E mesmo que aparentemente um usuário P2P possa piratear quantos filmes quiser nessas redes de compartilhamento, ele vai comprar cerca de 16 DVDs por ano. A maioria dos internautas também compra menos: 13 DVDs.
Segundo BianRosa, isso ocorre porque, além dos altos preços cobrados pela versão online, os consumidores avaliam o valor agregado ao produto offline, que conta com itens especiais como edições caprichadas para colecionadores, com caixas e extras que não costumam acompanhar o conteúdo oferecido online.
Mas esses usuários de P2P também não gostam de pagar por conteúdo on-line, o que não surpreende. Talvez porque eles vêem o compartilhamento de arquivos como um modo de testar esses produtos antes de comprá-los, considera o site "Inquirer".

terça-feira, 9 de junho de 2009

Cada vez mais criativo: estudo comprova que sonhar aumenta criatividade

São famosas as histórias em que a criatividade é inspirada por sonhos. Entretanto, não havia ainda nenhuma confirmação científica de que sonhar pudesse ajudar o desempenho em tarefas criativas executadas durante o dia. Pelo menos até o estudo realizado por um grupo de cientistas nos Estados Unidos. Eles acabam de demonstrar, por uma série de experimentos, que dormir e ter sonhos ajuda a realizar tarefas que exijam criatividade. Até então, já havia estudos demonstrando a ajuda que o sono dá ao pensamento criativo, mas nada que especificasse em qual fase do sono se obtém o benefício. Denise Cai, psicóloga da Universidade da Califórnia em San Diego, e seus colegas testaram isso ao comparar o desempenho de voluntários que tiravam uma soneca durante a tarde e atingiam o chamado sono REM (sigla inglesa para movimento rápido dos olhos, fase em que acontecem os sonhos), outros que só dormiam, mas não experimentavam a fase REM, e um terceiro grupo que apenas fazia repouso silencioso. Testes associativos correlacionados com a criatividade -- definida como a capacidade de conectar elementos originalmente desconexos -- foram aplicados aos voluntários pela manhã (antes da soneca) e à tarde. Os resultados mostraram claramente que os grupos do repouso silencioso e do sono sem sonhos tinham desempenhos similares. Já os que tiveram sono REM (ou seja, atingiram a fase de sonhos) apresentaram desempenho médio melhor. Os resultados ajudaram também a corroborar a ideia de que, para solucionar criativamente um problema, nosso cérebro trabalha com uma fase de incubação, em que não pensamos no problema conscientemente, mas nosso subconsciente segue trabalhando, até a solução emergir de forma súbita na mente consciente. Os cientistas especulam que a fase de sonhos do sono ajude esse trabalho de incubação ao estimular a ativação de certas conexões cerebrais usadas antes do sono. O trabalho foi reportado pelos cientistas no periódico da Academia Nacional de Ciências dos EUA, "PNAS".


 
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